Linux x Windows: pontos de vista

Li hoje um artigo intitulado “Por que o Linux é difícil”, de autoria de Edwal F. Paiva Filho, publicado em 26/05/2009 no site Viva o Linux (http://www.vivaolinux.com.br).

Nele, o autor questiona o pensamento de alguns defensores do Linux, nos quais me incluo, quanto à difícil questão sobre qual é melhor, Windows ou Linux. Ele propõe argumentos interessantes, alguns válidos, outros nem tanto (na minha
interpretação), e, em linhas gerais, questiona o pensamento da comunidade geek de que o Linux é melhor e ponto final.
Essa opinião do autor, como ele próprio alega, é a postura do usuário normal. Mas, quem é esse “usuário normal”? Seria aquele que “…quer algo que seja intuitivo e que o encante”. E isso significa não ter trabalho para instalar drivers, por exemplo.
O autor se apega aos apelos comuns dos admiradores de Linux que dizem que este é um sistema superior ao Windows porém esta é a visão de um técnico (ou os curiosos/iniciantes, que seja…). O usuário normal quer ligar o computador e usá-lo mas no Linux ele não consegue isso.
De cara, já posso oferecer um contra-argumento: o usuário quer ligar o computador e usar? Ok. Ele sabe o que está usando? Não importa para ele. Até porque, segundo o autor, “O usuário tem o direito de pensar como um orangotango, pelo simples fato que é ele que escolhe o sistema operacional…”. Erro! O usuário não escolhe sistema operacional, ele nem sabe o que é isso. Ele compra o computador e quer que ele funcione baseado naquilo que já viu em outros computadores. Infelizmente, existe a padronização Windows (caminhando para o fim, espero) que emburrece o mercado consumidor e empobrece a livre concorrência. Um artigo interessante sobre isso é “A Microsoft Morreu”, de Paul Grahan, que está publicado neste blog.
Então, como comparar os dois sistemas se o que importa é se funciona ou não?
O autor sugere que, no Linux, é comum ser necessário baixar drivers e isso é difícil e não deveria ser exigido do usuário. E o que dizer dos famosos codecs, de áudio e vídeo? Quantas vezes um usuário Windows não tentou rodar um vídeo .rmvb no Windows Media Player e obteve um pop-up de erro? O usuário comum entende isso? Sabe como resolver? Não! O que ele faz, então? Apela para alguém que conhece informática (o vizinho, o primo, o amigo, etc).
E antes de ligar e usar o computador? Comprou o computador e já estava tudo instalado, certo? Se chega em casa e algo ocorre, qualquer coisa, como resolve? Apela para o bom e velho nerd!!!
Quero dizer, com isso, que o usuário comum gosta mesmo de praticidade e não vai se importar em aprender informática para usar seu computador. Mas ele vai conseguir aprender coisas básicas, do dia a dia, como instalar um programa simples.
No Ubuntu, por exemplo, o synaptic facilita muito na instalação dos programas exatamente por seguir o padrão “preguiça” dos usuários. É só instalar diretamente do repositório (é claro que o usuário não sabe nem o que é repositório) e usar.
O autor critica a biodiversidade (sic) de distros do Linux pois entende que a padronização é do melhor interesse do usuário. Quem não é técnico/especialista prefere padrões de uso. Posso até concordar que isso ocorre mas não é bom e deve ser desencorajado.
A idéia de uma distro que “…descontente todos os especialistas, que seja odiada pelos puristas e amada pelos usuários…” é falsa. O nerd gosta de fuçar e aprender, se o programa é bonito, ele quer saber como foi feito e criar algo melhor. O objetivo do hacker não é criar algo novo a todo momento mas melhorar o que já existe. Seja por que tem um objetivo específico em mente (aumentar a segurança de critografia de um tunel de comunicação, por exemplo), seja pela satisfação de vê-lo com sua cara, sua personalização.
Sendo assim, não entendo possível uma distro que seja odiada por puristas e amada por usuários.
O usuário quer mesmo é facilidade e ele consegue isso com o Linux. Muitas pessoas já instalaram distros diferentes em seus desktops para seus familiares usarem e nada encontraram que os desencorajasse.
A verdadeira questão é mais subjetiva e filosófica: a questão da liberdade de
escolha. O nerd usa Linux porque pode fuçar no código mas também porque o sistema o agrada. Ou alguém imagina que o nerd fica somente na linha de comando? Nós também gostamos de conversar on line, jogar, ver fotos, etc, e para isso
precisamos de uma interface gráfica. Alguém usaria algo que não funcionasse? Que fosse feio? Alguém imagina que um nerd nunca usa um synaptic? Que só vai de apt-get install?
Qual é? Preguiça não é exclusividade das pessoas normais :o) .

Abraço,
Fábio

(O artigo original de Edwal pode ser lido em http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Porque-o-Linux-e-dificil/)