A Microsoft Morreu (?)

O artigo a seguir é de autoria de Paul Grahan (ver dados no final do artigo) e foi publicado por Wilker Azevedo em 27/04/2007 no site Viva o Linux. É bastante interessante para quem acompanha as mudanças rápidas e, eventualmente, drásticas que ocorrem no mundo da informática. É um pouco antigo mas ainda bastante válido.

A Microsoft morreu

Eu costumo dizer que o Windows não é concorrente do Linux, isso pois o Linux é um sistema feito para o ambiente de rede e para quem precisa de segurança, estabilidade, flexibilidade e velocidade… não é muito voltado para jogos, como o Windows, que roda melhor jogos do que aplicativos muitos outros. Mas é uma questão de tempo, pois o OpenGL está aí!!!

Veja então o artigo, tive que dividir ele para ser enviado ao VOL. O artigo pode ser encontrado em:
http://www.dicas-l.com.br/zonadecombate/zonadecombate_20070417.php

Uma observação:

Assim que o artigo foi postado eu recebi o link pelo Dicas-L e no mesmo dia postei aqui. Mas deve haver um atraso de alguns dias porque tem muito artigo ainda para a equipe do VOL liberar.

O primeiro comentário no artigo é o meu (Wilker Azevedo). Peço que deixem seus comentários lá também para que todos saibam que… Estamos de olho!

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Alguns dias atrás me dei conta repentinamente de que a Microsoft está morta. Eu estava conversando com o fundador de uma jovem empresa sobre como o Google era diferente do Yahoo. Eu dizia a ele que o Yahoo foi impulsionado no início pelo medo que tinham da Microsoft. Foi por isso que se posicionaram como uma “empresa de mídia” em lugar de uma “empresa de tecnologia”. Então olhei para ele e percebi que ele não entendeu. Foi como se eu tivesse dito a ele o quanto as garotas gostavam de Barry Manilow nos anos 80. Barry quem?

Microsoft? Ele não disse nada, mas dava para dizer que ele não acreditava que alguém pudesse ter medo deles.

A Microsoft foi uma sombra sobre o mundo do software por quase 20 anos, a partir do início dos anos 80. Eu me lembro que antes deles era a IBM. Eu quase sempre ignorei essa sombra. Nunca usei software da Microsoft, então isso só me afetou indiretamente – por exemplo, no spam que eu recebia de robôs na rede. E por eu não estar prestando atenção não percebi que a sombra desapareceu.

Mas agora desapareceu, consigo perceber isso. Ninguém mais tem medo da Microsoft. Eles ainda podem fazer um montão de dinheiro – assim como a IBM, a propósito. Mas eles não são mais perigosos.

Quando a Microsoft morreu e de quê? Eu sei que eles pareceram perigosos no final de 2001, pois escrevi um ensaio na época sobre como eles eram menos perigosos do que pareciam. Eu acho que eles morreram em 2005. Eu sei que quando iniciamos Y Combinator não nos preocupávamos com a Microsoft como competidora das empresas que fundamos. Na verdade, nós nunca os convidamos para os dias de demonstração que fazemos para que as empresas se apresentem a investidores. Nós convidamos Yahoo e Google e algumas outras empresas de Internet, mas nunca nos preocupamos em convidar a Microsoft. E eles também nunca nos mandaram sequer um email. Eles estão em um mundo diferente.

O que os matou? Quatro coisas, eu acho, todas elas aconteceram simultaneamente no meio desta década.

A mais óbvia é o Google. Só pode haver um homem forte na cidade, e claramente são eles. Google é hoje, de longe, a companhia mais perigosa, tanto no bom quanto no mal sentido da palavra. A Microsoft pode, na melhor das hipóteses, acompanhar com atraso.

Quando Google tomou a liderança? Haverá uma tendência de apontar isso para o lançamento de suas ações, em agosto de 2004, mas eles estavam apenas confirmando os termos do debate então. Eu diria que eles tomaram a liderança em 2005. Gmail foi uma das coisas que os colocou além. Gmail mostrou que eles poderiam fazer mais do que apenas buscas.

Gmail também mostrou o quanto se poderia fazer com software baseado na web se você usa o que mais tarde ficou conhecido como “Ajax”. E essa é a segunda causa da morte da Microsoft: todo mundo pode ver que o desktop está acabado. Agora parece inevitável que as aplicações viverão na web – não apenas os emails, mas tudo, mesmo Photoshop. Até a Microsoft percebe isso agora.

Ironicamente, a Microsoft, sem querer, ajudou a criar o Ajax. O x de Ajax vem de XHTMLHttpRequest object, que permite que o navegador comunique-se com o servidor no background, enquanto mostra a página. XHTMLHttpRequest foi criado pela Microsoft no final dos anos 90 para ser usado no Outlook. O que eles não perceberam é que seria útil também para muita gente – na verdade, para qualquer um que quisesse fazer com que aplicações web funcionassem como desktop.

Outro componente crítico do Ajax é o Javascript, a linguagem de programação que roda no navegador. A Microsoft viu o perigo trazido pelo Javascript e tentou mantê-lo defeituoso por quanto tempo fosse possível [1]. Mas eventualmente o mundo do código aberto venceu, produzindo bibliotecas Javascript que cresceram sobre os defeitos do Explorer, assim como vegetação cresce sobre arame farpado.

A terceira causa de morte da Microsoft foi a Internet banda larga. Qualquer um que queira pode ter acesso à Internet rápida hoje. E quanto maior o cano até o servidor, menos você precisa do seu desktop.

O último prego no caixão veio, de todos os lugares possíveis, da Apple. Graças ao OS X a Apple ressurgiu dos mortos de um jeito muito raro em tecnologia [2]. Sua vitória é tão completa que agora me surpreendo quando vejo um computador rodando Windows. Quase todos que financiamos na Y Combinator usam laptop Apple. Acontece o mesmo com os alunos da escola de empresas incubadas. Todas as pessoas da computação usam Macs ou Linux hoje. Windows é para vovós, assim como os Macs o eram nos anos 90. Então, não só o desktop não importa mais como, de qualquer forma, ninguém mais que se importa com computadores usa Microsoft.

E, claro, a Apple está na frente da corrida com a Microsoft na música também, além dos celulares e TVs que virão.

Estou feliz por a Microsoft ter morrido. Eles eram como Nero ou Cômodo – malignos de uma forma que apenas o poder herdado torna possível. Porque lembremos que o monopólio da Microsoft não começou com ela. Ela o recebeu da IBM. O negócio software esteve enforcado por um monopólio desde meados de 1950 até 2005. Praticamente por toda a sua existência foi assim. Uma das razões de a Web 2.0 ter esse ar eufórico é o sentimento, consciente ou não, de que a era monopolística acabou finalmente.

É claro, como um hacker, eu não consigo parar de pensar como uma coisa quebrada pode ser consertada. Há alguma forma de a Microsoft retornar? Em princípio, sim. Para ver como, vislumbremos duas coisas: (a) a quantidade de dinheiro que a Microsoft tem em suas mãos; e (b) Larry e Sergey cortejando, há 10 anos atrás, todos os mecanismos de busca, tentando vender a idéia do Google por um milhão de dólares. E sendo rejeitados por todos.

O fato surpreendente é: hackers brilhantes – perigosamente brilhantes – podem ser conseguidos muito baratos para os padrões de uma companhia tão rica quanto a Microsoft. Eles não conseguem mais contratar gente inteligente, mas eles podem comprar quantos quiserem por apenas um pouco mais. Então, se eles quiserem ser um competidor novamente, é assim que devem fazer:

1. Comprar todas as empresas de Web 2.0 que estão surgindo. Eles podem conseguir todas por menos do que eles teriam que pagar pelo Facebook.

2. Colocar todas elas no Vale do Silício, rodeadas por chumbo, formando um escudo protetor para prevenir qualquer contato com Redmond.

Sinto-me seguro em sugerir isso porque eles nunca vão fazê-lo. A maior fraqueza da Microsoft é que eles ainda não perceberam o quanto são ruins, incompetentes. Eles ainda acham que podem escrever código “in house”. Talvez eles possam, pelo padrão do mundo do desktop. Mas esse mundo acabou há alguns anos atrás.

Eu sei qual será a reação para este ensaio. Metade dos leitores vai dizer que a Microsoft ainda é uma companhia enormemente rentável e que eu deveria ser mais cuidadoso ao traçar conclusões baseado no que alguns poucos pensam da pequena e insular bolha Web 2.0. A outra metade, a mais jovem, vai reclamar que isto é notícia velha.

Notas
[1] Não é preciso fazer um esforço consciente para produzir software incompatível. Tudo o que você precisa fazer é não trabalhar muito na correção dos bugs – que, se você é uma empresa grande, você produz copiosamente. É uma situação análoga a escrever “teoria literária”. A maioria não quer ser obscuro, eles apenas não se esforçam em ser claros.

[2] Em parte porque Steve Jobs foi estimulado por John Sculley de um modo que é raro nas empresas de tecnologia. Se o board da Apple não tivesse cometido esse erro, não haveria retorno a ser feito.

É isso aí! Achei muito importante colocar este artigo aqui. Sei que muitos de vocês já devem ter visto ele, mas sempre existem aqueles que ainda não toparam com ele por aí.

Dados do artigo:

– Autoria: Paul Graham
Publicado originariamente em Abril de 2007 em http://www.paulgraham.com/microsoft.html
– Traduzido por Rafael Evangelista em Abril de 2007 e publicado em http://www.dicas-l.com.br/zonadecombate/zonadecombate_20070417.php
– Divulgado por Wilker Azevedo em Abril de 2007 através do site Viva O Linux em http://www.vivaolinux.com.br/artigo/A-Microsoft-morreu

Sobre o autor:

Paul Graham é um ensaísta, programador e designer de linguagens de programação. PHD em Ciência da Computação por Harvard, criou, junto com Robert Morris, a primeira aplicação baseada na web, a Viaweb, que foi adquirida pelo Yahoo em 1998.
Atualmente é sócio da Y Combinator (http://ycombinator.com/) uma empresa que financia a criação de novas empresas a partir da apresentação de uma idéia inicial.

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Ponto de Vista de um Iniciante em Linux

Texto de minha autoria publicado no site Viva o Linux (http://www.vol.com.br) em 10/11/2008.

Este artigo tem a finalidade de mostrar o ponto de vista de um usuário iniciante sobre Linux.

Ponto de vista de um iniciante
Comecei a conhecer o Linux de uma maneira diferente: trabalhando diretamente com linha de comando. Ou seja, saí do mundo bonitinho do Windows com todos os confortos, principalmente, não pensar (!), para encarar uma tela preta com um monte de caracteres estranhos.

Meu trabalho era fazer testes iniciais em servidores de internet configurados com Linux Debian e aprendi bastante, mas não tinha aplicação prática para mim pois ainda continuava usando IE, Outlook, MSN, Windows Media Player etc, ou seja, só usava Linux para o trabalho.

Como isso mudou, a ponto de eu estar publicando um artigo sobre minha experiência com Open Source? Simples, comecei a entender o conceito e pesquisar o assunto. A partir do momento em que entendi o conceito, comecei a pesquisar informações mais específicas e, claro, avaliar o impacto da mudança.

Foi aí que decidi trocar. Entendi que é melhor ter a liberdade de mexer no programa, mesmo não conhecendo muito sobre o assunto, do que sentir a impotência de ver um programa se fechar sem dar satisfação. Como aceitar que, se você não sabe o que fazer, reiniciar o computador resolve? Achava absurdo isso e o Linux me dá a possibilidade de entender o que aconteceu.

Outro dia mesmo meu Ubuntu 8.04 não montou uma partição NTFS limpa, sem SO, que uso como repositório. Fui atrás e o /etc/fstab estava alterado, a linha /dev/sdb5 não existia mais. Como consertei? Escrevi na mão a linha para montar o volume. Depois consultei os logs para entender o que aconteceu para provocar o erro: o Windows (usado por minha família) havia sido desligado incorretamente. Interessante entender o motivo das coisas acontecerem e ter a possibilidade de consertá-las.

Faz 8 meses que instalei o Linux no meu computador pessoal e fico fuçando quase todo dia, pesquisando tutoriais, dicas, sites, qualquer informação para aprender a mexer na tal linha de comando! Para aprender a montar o sistema, configurar uma rede, subir um fw, editar um Squid, escrever um shell script… Mas é pelo meu interesse não por necessidade.

O mais legal no Linux é que você pode somente instalar e usar sem entender do assunto, mas sabendo que é mais fácil de consertar, mais transparente. Você tem acesso a tudo que precisa sobre os programas que usa sem se preocupar com aquela maldita product key.

O que é mais importante aí é que, ao contrário do que pensam os não usuários de Linux, não ficamos somente na tela preta. Usamos programas normais, bonitos, funcionais. Editores de textos, planilha de cálculos, players de áudio e vídeo, navegadores etc.

A diferença entre um usuário Windows e um Linux é que o segundo tem a liberdade de aprender a configurar e consertar seu sistema. O primeiro não tem nem mesmo a liberdade de chamar o sistema de seu…

Liberdade de movimentos, liberdade de ação, liberdade de pensamento, liberdade enfim!

Fonte do artigo: http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Linux-sob-o-ponto-de-vista-de-um-iniciante/